o delicado “medianeras”

01/02/2012

Com a linda e esperançosa música de trilha sonora “True Love Will Find You in the End, o filme argentino “Medianeras”, de Gustavo Taretto, retrata a solidão, de forma delicada, nas grandes cidades. Buenos Aires é o pano de fundo dessa história – mas poderia ser qualquer outra metrópole.

São dois jovens solitários, vizinhos de prédio, mas que não se conhecem.  Eles contam suas próprias histórias de forma criativa, irônica e bem humorada, apesar de toda a tristeza que sentem por se sentirem só.

O único companheiro de Martin é um cachorro, deixado por sua ex-namorada, que o abandonou para levar uma nova vida nos Estados Unidos. Ele é depressivo, vive trancado em casa e a internet, com os jogos e os chats virtuais, é praticamente o único momento de distração de Martin. Já Mariana, tenta reconstruir sua vida sozinha, depois de passar cinco anos com alguém que ela descobriu que não a completava e que ela, na verdade, não conhecia direito.

Existem cenas em “Medianeras” que transformam o filme. Apesar de tratar de um tema triste, o longa me fez sorrir muitas vezes. E a criatividade do diretor me surpreendeu. Não vou contar detalhes dessas cenas aqui, pois sei que perde a graça.

A arquitetura também é ponto crucial do filme. Até porque solidão, grandes cidades, construções são assuntos que se complementam e estão presentes no DNA das metrópoles. A própria palavra “medianeras”, título filme, é a parte lateral dos prédios (que não tem janelas), símbolo da distância entre os personagens.

E Martin e Mariana –que torcemos para que se encontrem desde o início do filme – só vão poder se conhecer quando “quebrarem” a barreira das “medianeras” e de seus obstáculos pessoais. Essa parte, inclusive, é uma daquelas que eu disse que surpreendem e deixam sorriso no rosto. E para terminar a história, o diretor nos brinda com a também linda e também esperançosa “Ain’t no Mountain High Enough” de Marvin Gaye. Só poderia  resultar em coisa boa.

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